A Sara morreu, porquê?
Hoje, infelizmente, mais uma criança morreu vítima de maus tratos por parte dos próprios pais. É nojento e, acima de tudo, poderia ser evitado. Desde 2005 que a Sara está referenciada como uma criança em risco pela Segurança Social mas, mais uma vez, é mais fácil deixar andar para ver até onde a criança aguenta do que tomar uma atitude.
Agora, a chorar sobre o leite derramado, multiplicam-se as vozes de ministros e responsáveis a tentar sacudir a água do capote. A culpa não pode morrer solteira, mais uma vez. Há centenas de crianças em risco em Portugal e nem a enorme quantidade de instituições existentes conseguem evitar a tragédia.
Será fácil, e sinceramente acredito apenas porque é um caso mediático, culpar a mãe e o pai da menina de apenas 2 anos. E serão certamente, dado as provas mostradas até ao momento. Mas, sabendo que o caso era conhecido das autoridades, porque se deixou chegar a este ponto? Quantas mais Saras terão de sofrer para que os mecanismos de protecção de menores funcione realmente?
A dificuldade que um casal tem ainda hoje para adoptar uma criança é enorme, e, quem sabe, uma estrutura bem montada poderia encaminhar crianças em risco para a adopção. Eu sei, não é fácil tirar um filho a uma mãe, mas será justo deixar morrer crianças às mãos das únicas pessoas que as podem e têm a obrigação de proteger?
Quantas mais crianças estão, neste preciso momento, a sofrer danos, físicos e psicológicos, que vão influenciar toda a sua vida? A solução não é fácil, depende de cada um de nós. Depende dos pais que colocam no mundo uma criança e não têm condições para a educar e, muitas vezes, nem sequer para a amar.
A política de adopção tem de ser revista e cabe à Segurança Social e protecção de menores avaliar todos os casos e, se for essa a solução, encaminhar as crianças em risco, ainda pequenas, para adopção. Nem tudo será perfeito mas, provavelmente, irão crescer no seio de uma família que as ama e quer realmente ajudar a ser felizes.
A Sara não morreu, foi morta. Que mal terá feito para merecer tal sentença?
Paulo M. Guerrinha
