Foi Costa quem venceu o dérbi, perdão, o debate?
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O formato de debate, com os três canais de televisão a transmitir em simultâneo, teve por base uma espécie de relato desportivo. Um frente-a-frente onde os portugueses esperavam ver esclarecidas algumas questões, para perceber em quem apostar para a vitória nas eleições. Por aquilo que se ouviu, logo a seguir ao debate, da boca dos comentadores, "isentos", dizem, e pelo que se lê hoje nos jornais, a maioria atribui a vitória a António Costa.
Calma, vitória no debate.
Não vou entrar na mesquinhez de criticar o que disse Passos Coelho, ao tentar colar Costa a José Sócrates, ou na ausência de respostas claras, ou fuga, a perguntas muito concretas de António Costa. Mas não ouvi ninguém (perdoem-me se não ouvi tudo e todos), referir que quem se colou a Costa foi o próprio José Sócrates ao expressar o seu apoio ao atual líder do PS. Afinal, esta estratégia,serviu para quê?
Nem vale a pena falar dos erros factuais de António Costa sobre quem "chamou" a Troika.
Há muito tempo que é claro que a máquina do PS funciona muito bem, ao contrário da do PSD que tem pessoas que se assumem como partidárias a dar tiros no próprio pé nos espaços de comentário das televisões.
Por isso, acho que nenhum protuguês acredita que a máquina partidária do Largo do Rato não está por detrás deste "comunicado" de José Sócrates, no momento em que ele ocorreu. Acredito que temos de olhar para o futuro mas devemos manter os olhos no passado. É essa história que nos ensina e nos ajuda a evitar cometer os mesmos erros. Vamos esquecer e retirar do debate o que trouxe Portugal até ao ponto da chamada da Troika? Vamos esquecer que os partidos do Governo e o PS assinaram as medidas que estavam no memorando de (des)entendimento? Vamos esquecer que o Governo pode ter ido mais além do que a Troika exigia? Já agora, vamos esquecer as privatizações de empresas que nunca deviam ter saído da alçada do Estado?
Esquecer o passado só serve a quem quer esconder, a quem receia assumir os erros. É por essa razão que nunca devemos esquecer a II Guerra Mundial, o Holocausto. Foi um dos maiores erros da história e nunca deve ser esquecida, para que todos possam lutar contra medidas que levam a um repetir de eventos deste tipo.
Pouco ênfase se deu também, à pergunta que foi feita no debate sobre uma união de esforços dos dois candidatos para o bem de Portugal. Ambos fogem à pergunta de Adelino Faria. Mas os dois deviam ser forçados a dar uma resposta clara a este assunto. Afinal, depois das eleições, ganhe quem ganhar, o país, os portugueses, devem estar primeiro, acima de qualquer ego ou ideologia.
Quanto a vitória no debate, acredito que Passos esteve melhor na primeira parte, com ataques claros, deixando Costa reduzido ao seu meio-campo. Já na segunda metade, Costa veio dos balneários com outro fulgor e conseguiu superiorizar-se ao adversário. Não era futebol que queriam?
Quem vencer as eleições deve governar para o bem do país e não para seu proveito e dos amigos. A melhor solução para Portugal seria a celebração de pactos de regime claros em áreas cruciais. E nesse capítulo, nenhum dos candidatos quis assumir o compromisso, pedindo aos portugueses a confiança para governar sozinhos. E merecem?
