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Coisas da Vida

Todos unidos pelo poder

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A vontade de ser poder, de ser Governo, leva a que as "convergências", sejam elas o que forem, existam no final das reuniões de António Costa com os líderes dos partidos de esquerda. Mas, o que tem faltado em todo este fernezim de encontros, são propostas concretas de governação. Tal como mostrou Catarina Martins, o que se falou foi em deitar abaixo a coligação, discutir coisas concretas é algo para se fazer à mesa.

 

Mas, para quem tem pretensões de liderar um país, mesmo que não tenha sido votado para tal, a transparência deveria ser ainda maior. Se durante anos, reforçado durante toda a campanha, os discursos mostraram que há mais coisas a separar os partidos à esquerda do Partido Socialista, o que os une agora? É uma dúvida legítima.

 

Porque não uniram esforços durante a campanha dando sinais que poderiam entender-se para formar Governo? O que fizeram foi o oposto, mostraram sempre que o entendimento era impossível.

 

Se tivessem dado esses sinais, os resultados eleitorais teriam sido idênticos? Ou os votos teriam ditado uma vitória de outro partido ou uma maioria absoluta da coligação?

A quantidade de dúvidas sobre quem deve constituir Governo são muitas, demais para se conseguir garantir estabilidade! 

Temos de partir do princípio que entre os que votaram, o fizeram tendo em conta o que se ouviu durante a campanha. E muitas vezes se ouviu a crítica, louvável, que a coligação (tal como tem sido apanágio dos governos do chamado "Arco da Governação") tinha prometido uma coisa em campanha e governava de forma oposta.

 

Num provável cenário em que Cavaco Silva decida dar posse a um Governo composto por estas minorias, quanto tempo irá o país sobreviver até à rutura? O que irá António Costa fazer, (de tudo certamente), para manter as aparências e os votos de Bloco de Esquerda e PCP na Assembleia da Rpública. Porque se formar Governo e cair a meio, Costa também cairá em desgraça.

 

No fundo, tal como a coligação estará refém da vontade do PS (perante um possível entendimento), o PS estará nas mãos dos dois partidos menos votados para a Assembleia da República. E, num cenário destes, como se percebe, serão eles a governar, mesmo que de forma indirecta.

 

Tendo em conta os sinais que os partidos estão a dar ao tentar governar-se em vez de pensarem no país, e considerando que o próprio líder do PS já pensa em fazer um referendo no partido para saber o que deve fazer, talvez fosse mais útil à democracia haver novas eleições. Afinal, os partidos ainda não perceberam bem o que o povo decidiu quando votou.

 

Houve uma coligação que venceu as eleições, sem maioria, porque os portugueses querem que haja maior intervenção da oposição. Para ser mais claro, os portugueses não votaram num governo de esquerda.

 

O que sucederia se alguém parasse para perguntar aos eleitores (já nem falo dos que se ausentaram deste acto de democracia) o que eles querem? Talvez se ficasse a saber que a possível imposição de um Governo liderado por António Costa, para governar com as políticas do PCP e Bloco de Esquerda, seria liminarmente chumbado. Ou, pelo contrário, dirão legitimamente alguns, que os portugueses querem um Governo PS coligado com Bloco e PCP. Mas, é preciso não esquecer, não foi o PS quem venceu as eleições! E esse é um dado que, os defensores do método matemático da soma das partes tem de ter em conta. A parcela maior votou na coligação.

 

Os portugueses perceberam que algumas das medidas de austeridade foram necessárias para levantar o país. Mas também perceberam que a coligação pode ter ido longe demais, fruto do absolutismo. Por isso, nada como fazer a Assembleia da República funcionar. Os portugueses decidiram dar a vitória a uma coligação, apesar de toda a austeridade dos últimos quatro anos, mas também pediram consensos com os partidos da esquerda para tentar proteger alguns direitos sociais. Acreditaram que os líderes dos partidos pensam primeiro no país e não na guerra partidária. Podem ter-se enganado, mas isso não pode ser ignorado em democracia.

 

Se há dúvidas, se há impasse, faça-se uma segunda volta para as eleições legislativas. Creio que só dessa forma, e agora esclarecidos como os partidos agem perante os resultados, se irá perceber o que, de forma democrática, o povo pretende ter para a sua governação.

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