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Coisas da Vida

Porque se fala menos do glifosato do que da mudança de nome do Cartão de Cidadão?

glifosato.jpg

 

O problema é transversal, mas ataca muitos portugueses. Gostamos de discutir trivialidades e quando se trata de temas a sério, tendemos a fugir. Um desses exemplos diz respeito à utilização de pesticidas, nomeadamente do glifosato, que contém substâncias potencialmente cancerígenas para o ser humano e animais, na agricultura e até nas cidades, para combater as ervas nos passeios.

 

 

Há mais de um ano que a Quercus deu conta da tomada de posição da Organização Mundial de Saúde sobre o tema, mas só há algumas semanas se começou a falar publicamente. Alguns cidadãos criaram uma petição para que o produto seja proíbido, o Bloco de Esquerda pegou no tema, e bem, para tentar mediatizar a questão, mas, mesmo assim, acabou por haver menos "falatório" do que, por exemplo, aconteceu com a questão do nome do Cartão de Cidadão.

 

Aqui entra a questão da falta de viralidade do tema. Para quem publica nas redes sociais é mais relevante divulgar e partilhar trivialidades, como é o caso da "mudança de nome" do Cartão de Cidadão, do que erguer-se para lutar por aquilo que pode estar a colocar em causa o nosso futuro e o dos nossos filhos.

 

Mas a culpa também está nos políticos. Este papel interventivo, que caracterizou o BE no início dos tempos, tem ficado na prateleira. Crescer em votos, para manter o poder, é o grande objetivo da liderança de Catarina Martins. Esquece-se que quem a trouxe até ao lugar que tem, foram os eleitores que nela votaram, pelo programa, pelos ideiais que defendem no seu manifesto. Quando abdicam disto para se colarem ao poder, perdem todas as valências.

 Mais do que ideologias, de esquerda ou de direita, impõe-se que o povo, nós eleitores, saibamos exigir aos políticos honestidade intelectual e nos seus atos.

Por isso, era importante que o BE (bem como os outros partidos) se voltasse a focar nestes temas, mantendo a luta por aquilo que realmente ajuda as pessoas e os animais. A avaliar pelo que se tem visto nesta legislatura, não será esse o caminho que o BE vai seguir.

 

Pegando na notícia da TSF, que revela a moção de estratégia da direção do Bloco, proposta à próxima Convenção do partido, que se realiza em junho: "Não é possível vencer a austeridade e sustentar o compromisso de recuperação de rendimentos em que assenta a maioria parlamentar. Ainda que tímida, essa recuperação, se não criar nova margem de manobra, ficará em causa pela pressão externa e pela escassez de recursos."

 

Ou seja, o BE continua mais preocupado com o poder do que com aquilo que realmente importa ao país. Gostava de ver as figuras do partido manterem na agenda do dia esta questão da necessidade de proibição do glifosato. Mas, não terão tempo. No meio da ginástica que precisam de fazer para apoiar o Governo, aprovando medidas que vão contra a sua ideologia e tudo aquilo que defendem.

 

Afinal, tal como escreve Paulo Baldaia, no seu comentário na TSF, "o que conta na vida das pessoas é a vida que elas levam, determinada pela prática política, e não a vida com que querem que elas sonhem, determinada pela retórica partidária".

 

Mais do que ideologias, de esquerda ou de direita, impõe-se que o povo, nós eleitores, saibamos exigir aos políticos honestidade intelectual e nos seus atos. Ir na onda da retórica não nos leva a lado nenhum. Apenas nos encaminha para os espantos quando se "descobre" que o político A ou B, seja de esquerda ou de direita, é corrupto, vendeu o país e empresas nacionais a capitais estrangeiros, aumenta impostos para cobrir as gestões danosas de banqueiros e empresas públicas.

 

Todos temos uma ideologia, faz parte da nossa condição humana enquanto seres que vivem em sociedade, mas erra quem faz seguidismo. Nem tudo o que um governante faz é positivo e, quando toma atitudes prejudiciais ao país, deve ser travado. E esse travão tem de funcionar sempre: quando se pensa que estamos a seguir em frente, ou quando se vira à esquerda, ou à direita.

 

Depois, era importante que os políticos ajudassem também a filtrar a contra-informação que vai saindo, com origem em organismos como a ONU. Na notícia do Público pode ler-se que um relatório de "peritos" desta instituição lança a dúvida sobre o facto deste produto originar cancro. Eu pergunto, na dúvida, vamos dar isso aos nossos filhos? Este relatório serve apenas o propósito de dar a quem vai votar, argumentos para manter a autorização da comercialização do produto.

 

Cabe aos governantes, eleitos pelo povo, jogar em defesa da garantia, compete aos cidadãos unirem esforços para impedir que este tipo de produtos continuem à venda e a ser utilizados.

 

Os transgénicos e o Glifosato

A Quercus alertou ainda para o facto dos transgénicos, alimentos geneticamente modificados, conterem esta substância que acaba por entrar no organismo através da ingestão de alimentos como o milho ou a soja.

"Mais de 80% das plantas transgénicas produzidas no mundo (sobretudo soja, mas também milho) foram geneticamente modificadas precisamente para receber aplicações de glifosato. Isto significa um acréscimo adicional de resíduos deste herbicida na alimentação, aumento esse que se deve exclusivamente ao uso de OGM. Considerando que os primeiros transgénicos foram autorizados na União Europeia em 1996, não será coincidência que em 1999 a UE tenha aumentado em 200 vezes a sua tolerância aos resíduos de glifosato na alimentação (passaram de 0.1 para 20 mg/kg no caso da soja). (*12) Fica assim evidente que os transgénicos pioram a exposição das populações a substâncias perigosas."

 

Mais uma vez, existem políticas adoptadas a nível europeu, e com aceitação pelos governos nacionais, que visam apenas beneficiar negócio sem avaliarem todos os impactos dessas medidas na saúde dos cidadãos.

 

Na próxima quarta-feira, dia 18 de maio, haverá uma votação para se continuar a utilizar esta substância e é importante que todos se unam contra a utilização deste produto.

 

Se ainda não assinou a petição, faça-o aqui. 

 

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