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Coisas da Vida

A democracia é uma perda de tempo?

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Catarina Martins continua a mostrar aquilo que Portugal terá sob a sua governação: um total atropelo à decisão popular. Fala como quem venceu umas eleições e despreza os resultados dos votos dos portugueses.

 

Os resultadados não lhe dão um mandato de governação e a Constituição, apesar de ser necessária uma revisão, é para cumprir. O respeito pela democracia não pode ser uma perda de tempo e Catarina Martins já diz que rejeita qualquer Orçamento de Estado apresentado por um Governo Passos Coelho e Paulo Portas, só porque sim, mesmo sem conhecer o que irá constar nesse orçamento.

 

Isto são afirmações de alguém que gosta de ignorar a democracia, de um predador que, sentido a presa, apesar de mais veloz, em baixo de forma, a ataca com tudo o que tem à mão, derrubando no caminho tudo e todos.

A decisão de formar Governo está nas mãos de Cavaco Silva mas qualquer dos cenários que se apresenta estará a prazo. 

Este discurso no final do encontro com o Presidente da República é impróprio, principalmente quando é questionada sobre a sua solução que diz ainda não estar negociada. Vamos imaginar que Cavavo cede e dá a António Costa a possibilidade de formar Governo. A força de Catarina Martins aumenta, tal como a do PCP, empurrando António Costa para uma negociação de dependência.

 

Depois da insistência de António Costa em ser Governo, sem que o povo tenha votado para tal, os portugueses ficam a perceber que o líder do PS tudo fará para se agarrar ao poder. Podia aceitar com humildade o que os votos lhe deram e fazer o caminho mais sério, de luta pela defesa dos interesses dos seus eleitores na Assembleia da República mas respeitando também a maioria de portugueses que votou na coligação.

 

Optou por se tentar afirmar como uma força de bloqueio, com o apoio dos partidos de esquerda, que defendem coisas completamente diferentes do porgrama do PS e que vão contra os compromissos que o país tem com a União Europeia.

 

Essa guerra, feita desta forma, já todos sabemos como termina. Basta recordar o que se está a passar com a Grécia. O Syriza prometeu romper com tudo, retirar a Grécia da UE e foi com essas promessas que obteve os votos para governar. Nem cumpriu o que prometeu, colocando a Grécia debaixo de um cenário austero ainda pior, e acaba a implementar medidas de austeridade que incluem, imagine-se, cortes nas pensões.

 

Porque razão vamos acreditar que em Portugal vai ser diferente? Não acreditamos, e foi isso mesmo que os portugueses disseram nas eleições legislativas. Os portugueses quiseram manter uma governação mais austera, liderada pela coligação que nos últimos quatro anos implementou medidas duras de austeridade, mas com maior peso do PS, que, apesar de defender (pelo menos no papel) os compromissos europeus, pode ajudar a equilibrar agumas questões sociais.

 

Governar, estar dependente de Bloco de Esquerda e PCP, partidos que têm na União Europeia, na Moeda Única, os seus princiais inimigos, será uma gestão a prazo. Uma governação ao estilo do póquer, pagar para ver! Só que o país não está rico para se dar ao luxo de embarcar nestas experimentações.

 

Bloco e PCP vão abster-se quando o PS tiver de apresentar medidas austeras para atingir as metas e compromissos externos? Vamos nacionalizar a banca, correr com os patrões?

 

Quando, como sucedeu em 2011, faltar dinheiro para pagar salários na Função Pública e o país estiver em risco porque os parceiros europeus duvidam que Portugal consiga atingir as metas que permitam pagar as dívidas, onde vai António Costa encontrar dinheiro? Talvez faça o mesmo que José Sócrates, chama a ajuda externa e pede a outros que limpem a casa antes de voltar a colocar o PS no Governo. Esta análise é uma realidade, não uma questão de ideologia política.

 

António Costa tinha oportunidade de travar o Governo da coligação em medidas como as privatizações, os escalões de IRS, os plafonamentos da Segurança Social. Podia forçar negociações para conquistar pontos, podia lutar por medidas benéficas a um Estado Social, optou pela outra via. A via de ficar dependente de dois partidos de esquerda, que o atacaram constantemente. Haverá dependências saudáveis?

 

Voltando aos cenários possíveis, António Costa tinha a possibilidade de se apresentar ao país como um facilitador, alguém que pensa em primeiro no país, acima da carreira política. Não o fez.

 

Mostrou que a sua carreira, a sede de se salvar, está acima de qualquer outra possibilidade. Será que numa provável governação PSD/CDS, haverá deputados do PS a votar favoravelmente à coligação, viabilizando um governo?

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