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Coisas da Vida

O aborto da política à portuguesa

A discussão pública em torno do Referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez está a ganhar contornos verdadeiramente esquisitos. Pelo meio da panóplia de informação e declarações dos mais variados quadrantes, o público começa a sentir-se perdido. E isso vai, certamente, reflectir-se nos resultados do escrutínio.

A forma como está a ser conduzida a campanha (sim, campanha, porque é disso que se trata, por muito que se diga que não está politizada a questão) em nada escapa ao que os nossos políticos já nos habituaram. Lançam a confusão e quem conseguir que se livre do emaranhado de opiniões existentes.

Afinal o que está em causa nesta discussão? A despenalização da mulher, dirão alguns, enquanto outros defendem que ao votar sim no Referendo se está a abrir as portas ao massacre de fetos.

Sinceramente nem me atrevo a tentar opinar sobre o que realmente está em causa. Tenho a minha posição, muito convicta sobre a matéria, e penso que é assim que cada português deverá votar. Em consciência e, como diz o ditado, "sem emprenhar pelos ouvidos". Senão arrisca-se a ter de fazer um aborto no dia da votação por ter uma opinião indesejada, imposta por alguma das partes.

Para mim, antes de mais nada, há que garantir a segurança das mulheres nesta matéria. É uma questão de Saúde Pública. O Governo pode e deve acabar com os locais onde as mulheres fazem, clandestinamente e sem as menores condições, abortos todos os dias. Não é difícil descobrir estes antros de massacre. Qualquer pessoa sabe onde eles estão.

A solução não passa por abrir as portas às clínicas espanholas que actualmente já ganham rios de dinheiro com as centenas de mulheres portuguesas que se deslocam a Badajoz para fazer abortos. Porque quando isso acontecer, também serão apenas as mulheres com mais posses financeiras que o vão conseguir fazer.

O que está aqui em causa são as mulheres que têm necessidades financeiras e recorrem a parteiras de vão de escada para fazer estas intervenções. E isso vai continuar a acontecer se a lei for alterada, desta vez de forma legal.

Despenalizar a mulher Sim, despenalizar a carnificina, Não. É isto que gostava de ver esclarecido e até hoje, em nenhum debate ou discussão ouvi defender por nenhuma das partes.

Além disso, no meio de tanta confusão, lá se vão ouvindo alguns relatos de mulheres que fazem questão de afirmar ter já realizado "sete ou oito abortos". Sinceramente. Posso aceitar que existam casos em que a IVG é a única alternativa, mas será que nos dias que correm ainda há quem não tenha ouvido falar de preservativo?

Um Governo corajoso tomaria uma decisão e seria responsável por ela. Mas o que se pretende com este Referendo não é mais do que passar o ónus da decisão para os portugueses. Afinal, são eles que gerem o país...

Paulo M. Guerrinha

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