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Coisas da Vida

Clara Pinto Correia e os títulos dos jornais

Hoje de manhã, ao ouvir o comentário de imprensa transmitido pela SIC Notícia, pasmei com as afirmações de Clara Pinto Correia, a convidada desta rubrica. A escritora utilizou grande parte do seu tempo de antena para criticar o jornalismo que se faz actualmente, dando especial ênfase à falta de originalidade e criatividade dos títulos da imprensa.

Ao princípio até comecei por concordar, por vezes os títulos são fracos e não fazem justiça ao conteúdo apresentado nas notícias. Muito se deve ao estado actual da profissão. Os jornais, há muito tempo que deixaram de ser projectos jornalísticos para se transformarem em negócios, pura e simplesmente. Quem acaba por pagar a factura é a credibilidade e qualidade do jornalismo praticado. As empresas dão preferência a estagiários, com menos experiência, mas que aceitam trabalhar por ordenados reduzido, por vezes abaixo do ordenado mínimo nacional, e apostam, pouco na qualidade da informação.

Mas depois, a tese de Clara Pinto Correia caiu por terra quando afirma que na época em que era jornalista "se faziam grandes “brain stormings" para escolher um título. Bom, eu ainda me lembro de dizer mal da música ouvida pelos meus pais e avós. Estava fora de moda e o que estava a dar era o moderno som do final dos anos 70, início dos anos 80.

Hoje em dia, e sem grande espanto, a música que fazia as delícias desses tempos, é para velhos. Mudam os tempos, mudam as vontades e pouco mais há para inventar hoje em dia. Mas numa coisa Clara Pinto Correia tem razão, o jornalismo está na rua da amargura. O rejuvenescimento da profissão é saudável, mas faz falta a figura do jornalista experiente, com memória para transmitir a ética perdida.

Na sua coluna no jornal 24 horas o título de hoje, dia 27 de Dezembro, é: "O triqui-triqui". Deve ter sido uma reunião muito demorada para chegar a este marco do jornalismo. É a velha história, quem tem telhados de vidro...

Já agora, pensei em colocar como título: Títulos pouco claros para Pinto Correia, mas se calhar era exagerado. Aceitam-se sugestões, o melhor irá substituir o actual.

Paulo M. Guerrinha

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