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Coisas da Vida

Os grandes portugueses da RTP

A edição de hoje do jornal 24 horas voltou a surpreender com a publicação da alegada lista das 10 figuras mais votadas pelos portugueses para o programa da RTP que vai para o ar em Janeiro. Ao que parece, de acordo com a lista final, à qual o 24 horas teve acesso, António de Oliveira Salazar é uma das figuras eleitas.

A notícia do jornal dá ainda conta do espanto que a integração do nome do ditador causa junto de historiadores e da "injustiça" pela não inclusão do nome de Eusébio ou de Amália Rodrigues (o futebolista e a fadista, não as lontras do Oceanário).

A eleição contempla nove séculos da História de Portugal e, talvez por isso, seja muito difícil um consenso sobre a figura que merece realmente o título de Grande Português. Mas, o que preocupa ainda mais, é pensar no que será esta votação daqui a 20 ou 30 anos (para não arriscar dizer já para o próximo ano) em virtude da escassez de grandes nomes que sejam merecedores de tal eleição.

Assusta pensar que os meus filhos ou netos irão ter de optar por nomes como Pinto da Costa, Vale e Azevedo, Pedro Santana Lopes ou Carolina Salgado. Os grandes feitos, protagonizados por portugueses como Vasco da Gama e tantos outros navegadores portugueses são raros.

Ao ouvir hoje o Debate Mensal na Assembleia da República, volto a ficar com a sensação que os nossos políticos, eleitos pelos portugueses para Governar o país, continuam mais preocupados em fazer boa figura do que em tomar medidas realmente essenciais para desenvolver Portugal.

É incrível o tempo que se perde com discursos. Pior, a capacidade que os políticos têm para falar durante horas, sempre a dizer a mesma frase e a defender a mesma ideia, sem chegar a lado nenhum. É cansativo.

Já chega de discussões secas. Se querem trocar acusações marquem um encontro num café, ou num jardim. Não usem a Assembleia da República para este triste espectáculo. Para novelas de fraca qualidade e movimentadoras de massas ávidas por entretenimento já temos as televisões.

Decidam, com respeito pela Democracia, e assumam as consequências dos actos, tal como têm de fazer os portugueses diariamente na gestão do orçamento familiar.

Pode ser que, daqui a uns anos, pelo caminho que as coisas levam, D. Sebastião tenha mesmo de regressar, no meio do nevoeiro, para nos livrar de sermos uma província de Espanha.

Paulo M. Guerrinha

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