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Coisas da Vida

4 factos sobre aquilo que se diz e o que não se ouve

A luta de palavras e de opiniões sobre a governação em Portugal multiplica-se. Dos dois lados desta fronteira, que agora parece ser apenas entre esquerda e direita, os argumentos apresentados validam a verdade absoluta. Esquecem-se os pormenores, os pequenos detalhes que, provavelmente, estão na base do embróglio.

 

No fundo, de toda a discussão que tem vindo à praça pública, se retirarmos da equação a conversa e paleio político, podemos resumir tudo isto em 4 factos:

 

1 - Cavaco Silva deveria ter dado posse a Pedro Passos Coelho e deixado a Assembleia da República funcionar. Ao fazer o primeiro discurso, como que dizendo entendam-se lá com o PS, abriu a porta para que tudo isto fosse uma realidade. Deu força a António Costa que, provavelmente nesta altura já se teria demitido por ter perdido as eelições, e permitiu esta aparente união à esquerda. Aparente porque, até agora, não se viu concretizar nada além de boas intenções políticas.

 

2 - Não se pode falar de uma verdadeira união de esquerda enquanto esta não estiver concretizada porque historicamente o PS sempre baniu os partidos mais à esquerda de possíveis alianças. Algo que até pode ser personalizado no histórico socialista Mário Soares que ditou o PCP ao isolamento há muitos anos como se fosse o anti-cristo. Ou seja, desde 1975 que a barreira criada entre PCP e PS tem impedido uniões de esquerda no Parlamento. Que propostas reais têm que garantam um governo "estável e duradouro?" 

 

3 - António Costa pretende fazer este assalto ao poder sem apresentar uma proposta concreta de governação. Pelo menos é isso que se pode interpretar das declarções de João Galamba na noite de 27 de outubro na SIC Notícias. O que a esquerda aparentemente unida pretende é derrubar o Governo empossado com uma moção de rejeição e dizer que tem uma alternativa, sem dizer qual.

O que está errado nesta ação de bloqueio é o anúncio prévio de rejeição de um governo composto por uma coligação que venceu as eleições. Mesmo sem se saber que propostas de governação vai apresentar ao Parlamento. "É direita, é para deitar abaixo". E o mesmo se poderia dizer se a sitauçaõ fosse inversa. É a politiquice colocada acima dos superiores interesses do país.

Mas, quando os partidos de esquerda se sentem ofendidos pelas declarações de Cavaco Silva (ao fazê-lo abriu a porta para receber estas críticas), e depois têm esta atitude, estão a ofender a Democracia e os eleitores que votaram na coligação.

 

4 - Já se percebeu que os partidos de esquerda terão de deixar cair a sua idiossincrasia para conseguirem agir em conjunto. Nesta fase ninguém acredita que isso não irá suceder, afinal o valor mais alto para estes partidos será evitar que a coligação seja Governo. Já para não falar no borrão que ficaria na fotografia se agora não tentassem, pelo menos, apresentar um acordo. Por isso, e acreditando que Cavaco Silva irá evitar manter um governo de gestão, (e mesmo que o faça), em Abril haverá novas eleições.

Porque o PS terá de apresentar medidas austeras, o BE e PCP terão de fazer tudo para que sejam aprovadas, e o eleitorado destes dois partidos vai voltar a fugir.

 

Neste momento, depois de tudo o que já se disse e escreveu, a favor e contra todos os cenários, é urgente uma definição de Governo para Portugal. A Constituição não o permite, mas este embróglio só se resolveria com novas eleições. Aliás, esta será a grande tarefa do próximo Presidente da República que será eleito em janeiro.

 

O que não se diz

A campanha para as presidenciais começou há muitos meses, ainda antes das legislativas. Primeiro com a definição dos candidatos a candidatos, depois com a imensa lista de figuras a querer representar a figura máxima do país.

António Costa começou por apoiar Sampaio da Nóvoa, para depois surgirem as primeiras críticas do seio do PS que preferem apoiar Maria de Belém. Esse foi um dos pecados capitais de António Costa, achar que podia tomar decisões sem a autorização do partido. Agora, os partidos optaram por não apoiar candidatos na primeira volta, na esperança de ter uma segunda volta com um candidato de direita e outro de esquerda.

 

E porque tem andado (quase) tudo tão "caladinho"? Porque tudo o que disserem agora se vai voltar contra eles no dia da votação. O povo está atento e quando chegar janeiro vai escolher o presidente que garantir maior estabilidade ao Governo. Leia-se, o Governo que ficar definido depois de passado o embróglio. Os que falam mais, como Sampaio da Nóvoa, aproximam o discurso da vontade da esquerda unida.

 

Uma coisa é certa, independentente de ideologias, da ausência de bandeiras na campanha, da falta de apoio explicito dos partidos, o próximo Presidente da República tem o dever de fazer tudo para que o país funcione, respeitando a Democracia, seja ela de direita ou de esquerda. Mas, acima de tudo, respeitando o povo português.

 

O próximo Presidente da República não pode permitir uma governação desastrosa, feita por um partido que apenas governa para satisfazer os dois partidos que o apoiam, com medidas que levem o país a uma situação idêntica à de 2011, deixando cair por terra todo o esforço feito nos últimos quatro anos. Nem tudo o que foi feito é perfeito, será fácil apontar medidas também elas erradas do ponto de vista social, mas a maioria era crucial para levantar o país do ponto de vista económico e financeiro.

Medidas como a subida do salário mínimo para 600 euros já em janeiro, serão desastrosas para a economia. 

Quanto à possibilidade de um Governo de gestão, creio que perante a realidade, já ninguém acredita que a coligação possa governar com a actual constituição da Assembleia da República.

 

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